Reflexos
Publication annuelle exclusivement en ligne hébergée sur le site des revues électroniques de l’Université Jean Jaurès, la revue Reflexos est un espace d’élaboration commun à distance, ouvert aux études lusophones.

N° 006

[Sommaire du numéro]

 

Ester Moraes GONÇALVES

Entre “na realidade” e “na verdade”, alguns sentidos passeiam: um estudo centrado no uso

Résumé

Cet article vise à présenter une analyse préliminaire basée sur l'utilisation de “na realidade” (« en réalité ») et “na verdade” (« en vérité »). Pour cela, les données fournies par le Corpus do Português (Davies, Ferreira, 2006-). sont utilisées. L'hypothèse de départ est que, comme d'autres modalisateurs épistémiques, « en réalité » et « en vérité » présentent également des schémas d'utilisation différents dans les spécificités de leurs contextes d'utilisation. En même temps, nous supposons que les deux constructions sont sujettes à variation, car elles ont des significations similaires. D'un point de vue théorique et méthodologique, nous nous sommes appuyées sur la linguistique fonctionnelle centrée sur l'usage, en prêtant attention à la grammaire des constructions, aux processus cognitifs du domaine général et à la variation entre les constructions (alloconstructions). D'une part, les résultats ont montré qu'en fait, il existe des contextes dans lesquels ces constructions peuvent être configurées comme des allostructions. D'autre part, il existe des contextes spécifiques pour chacun, c'est-à-dire qu'ils ont aussi leurs spécificités.

Abstract

This article aims to present a preliminary usage-based analysis of “na realidade” (in reality) and “na verdade” (in truth). To do so, data provided by the Corpus do Português (Davies, Ferreira 2006-) are used. The initial hypothesis is that, like other epistemic modals, “in reality” and “in truth” also present different patterns of use in the specifics of their usage contexts. At the same time, we assume that both constructions are subject to variation, since they have similar meanings. Adopting a theoretical-methodological point of view, we use Usage-Based Linguistics, paying attention to Construction Grammar, general-domain cognitive processes and variation between constructions (allostructions). On the one hand, the results showed that, in fact, there are contexts in which these constructions can be configured as allostructions. On the other hand, there are specific contexts for each one, that is, they also have their specificities.

Resumo

Este artigo objetiva apresentar uma análise preliminar baseada no uso de “na realidade” e “na verdade”. Para isso, utilizam-se dados fornecidos pelo Corpus do Português (Davies, Ferreira 2006-). A hipótese inicial é de que, assim como outros modalizadores epistêmicos, “na realidade” e “na verdade” também apresentam distintos padrões de usos nas especificidades de seus contextos de uso. Ao mesmo tempo, supomos que ambas construções são passíveis de variação, já que possuem sentidos semelhantes. Como ponto de vista teórico-metodológico, lançamos mão da Linguística Funcional Centrada no Uso, atentando-nos à Gramática de Construções, aos processos cognitivos de domínio geral e à variação entre construções (aloconstruções). Por um lado, os resultados demonstraram que, de fato, há contextos em que essas construções podem configurar-se como aloconstruções. Por outro lado, há contexto específicos de cada uma, isto é, elas também possuem suas especificidades.

Texte intégral

I. Introdução

1 A primeira definição que o dicionário Aulete Digital1 nos fornece para a palavra “realidade” é “qualidade ou estado do que é real, verdadeiro” e a primeira definição para “verdade” é “aquilo que corresponde à realidade”. Isto é, os significados das palavras “realidade” e “verdade” estão interrelacionados. No entanto, essas mesmas palavras contidas em um sintagma preposicional, como em “na realidade” e “na verdade”, contribuem para que tais locuções adverbiais que são encabeçadas pela mesma preposição e artigo (em + a) expressem o mesmo sentido? Podemos dizer que se trata de formas diferentes que podem exprimir o mesmo sentido (aloconstruções)? Através desta investigação preliminar, que se desenvolverá sob a perspectiva da Linguística Funcional Centrada no Uso (Barlow, Kemmer 2000; Bybee 2010; Goldberg 1995, 2006; Croft 2001), tentaremos responder essa questão.

2Assim, por meio deste estudo, temos como objetivo geral analisar o comportamento de “na realidade” e “na verdade”, no português brasileiro, demonstrando os diferentes sentidos expressos por essas construções, além dos sentidos em comum entre elas, na tentativa de demonstrar se são aloconstruções. Vejamos um exemplo:

  1. A sátira de Assassinato no Expresso Oriente não é um dos filmes mais inspirados de Sandler - na realidade, ele é exatamente o que se espera de uma trama mediana do comediante. Ainda assim, diverte mais que a adaptação de Kenneth Branagh. Rindo da fórmula dos mistérios, entrega a experiência dos muitos suspeitos com um toque de ridículo. Afinal, a produção não tenta ser muito esperta. (omelete.com.br)

3Em (1), através de “na realidade”, o redator reformula/esclarece o que, para ele, o filme “Assassinato no Expresso Oriente” representa. Podemos observar que, já na oração anterior ao uso de “na realidade”, o redator antecipa sua opinião sobre a sátira do filme através da oração negativa e avaliativa (“não é um dos filmes mais inspirados”) e, por meio da oração encabeçada pelo adverbial, insere uma asseveração.

4No exemplo (2), com “na verdade”, podemos observar um papel semelhante:

  1. A visão agostiniana não está preocupada com questões metodológicas acerca do estatuto do conhecimento histórico, ou seja, Agostinho não investiga os fundamentos da história como disciplina teórica nem está interessado no modo como se escreve a história; na verdade, sua preocupação é fornecer uma resposta para o problema do sentido da história universal. Nesse caso, diferentemente do que acontecia no mundo pagão, a história não se resume a narrativas que pertencem aos contextos isolados desta ou daquela nação, mas ganha contornos mais amplos, podendo ser vista como o palco em que se desenrola o drama de toda a humanidade.” (jornalggn.com.br)

5Em (2), com a oração em que “na verdade” se insere, o redator, com seu conhecimento sobre a visão agostiniana, tenta esclarecer do que “verdadeiramente” se trata a obra de Agostinho. Assim como no dado em (1), primeiro nega do que se trata tal visão e, em seguida, com a oração introduzida por “na verdade”, assevera do que trata a obra. Discutiremos com mais detalhe outros dados na seção de análise de dados, mas, já de antemão, podemos ver através desses dois dados que “na realidade” e “na verdade” podem ocorrer em contextos de uso muito parecidos e com intenção muito semelhante. Portanto, é possível que em contextos como os vistos anteriormente, tais construções sejam aloconstruções e, como veremos mais adiante, há contextos mais específicos de cada uma também.

6O interesse em observar essas duas construções também se dá pelo estudo de outra construção modalizadora epistêmica, o adverbial “com certeza”. Em Gonçalves (2021), ao estudarmos tal construção, apontamos que, apesar de haver bastante estudo sobre adverbiais no português, há poucos trabalhos que se delimitem a observar em detalhe os adverbiais com preposição com valor modalizador, como os que temos estudado aqui e outros, como “com certeza”, “sem dúvida”, “de fato” e “por certo”. Nesse mesmo trabalho citado, observamos que “com certeza”, além de figurar a construção modalizadora, também pode formar parte de outras construções (qualitativa, predicativo do sujeito, adjunto adnominal), mas é mais frequente na construção modalizadora. No entanto, dentro dessa categoria, tal adverbial ainda se desdobra através de diferentes padrões de uso, que exprimem as seguintes nuances de sentido: conclusão lógica situacional, conclusão lógica evidencial, reafirmação e focalização.

7Tendo isso em vista, é possível afirmar que um único modalizador pode exprimir diferentes sentidos no discurso, já que o seu entorno contribui muito com o seu significado. Pensando nisso, o objetivo norteador deste trabalho é observar se “na realidade” e “na verdade”, que também são modalizadores, podem exprimir diferentes nuances a depender do contexto em que se encontram e em que medida as nuances dessas duas construções se assemelham.

8Por se tratar de um estudo preliminar, a análise aqui apresentada terá como base 50 ocorrências de “na realidade” e 50 ocorrências de “na verdade” no Corpus do Português (Davies, Ferreira 2006-), considerando a aba NOW, referente ao século XXI. Assim, propomos, de início, analisar os dados, atentando-nos às minúcias do contexto de uso, a fim de buscarmos quais os padrões de uso dessas locuções adverbiais dentro da construção adverbial modalizadora epistêmica. Além disso, por se tratar de locuções adverbiais que, em alguma medida, possuem semelhanças, pretendemos demonstrar se há contexto em que tais adverbiais podem estar em variação (aloconstrução).

9Para a realização da análise de dados, temos em vista os seguintes parâmetros: i) sentido da construção; ii) a ordenação da locução adverbial na oração; iii) grau de composicionalidade da locução adverbial no contexto de uso; iv) presença/ausência de elementos que reforcem o papel das construções adverbiais; e v) fala reportada ou não.

10Para tal estudo, lançamos mão da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU) e seus pressupostos teóricos, em especial, a Gramática de Construções (Goldberg 1995, 2006; Croft 2001), atentando-nos aos processos cognitivos de domínio geral (Bybee 2010), como categorização e analogia. Ademais, conforme discutimos os dados, pretendemos refletir sobre os usos das construções estudadas, tendo em vista a noção de aloconstrução (Capelle 2006; Machado Vieira, Wiedemer 2019).

II. Linguística Centrada no Uso e seus pressupostos

11Em termos teóricos, partimos da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), que lança mão de pressupostos da Linguística Funcional norte-americana e da Gramática de Construções. De acordo com a LFCU, a língua é moldada de acordo com as necessidades comunicativas do falante em contexto real de uso (Barlow, Kemmer 2000; Bybee 2010). Martelotta e Alonso (2012) destacam três fatores essenciais que motivam tal uso: i) estruturais, que se refere à configuração gramatical de cada língua; ii) históricos-sociais, que têm a ver com os elementos extralinguísticos do contexto presentes na interação; e iii) cognitivos, que estão relacionados ao modo como a experiência tem efeito sobre a configuração gramatical. Pensando nos fatores cognitivos, é válido dizer que, para este trabalho, nos atentamos especialmente aos processos cognitivos de domínio geral “categorização” e “analogia”.

12De acordo com Bybee (2010), os processos cognitivos de domínio geral, como o próprio nome sugere, constituem-se processos que estão presentes em toda experiência do ser humano com o mundo. Isto é, não se limitam à língua, fazendo-se presentes nas ações cognitivas de memorização e compreensão do mundo biossocial. Então, nesta visão, entende-se que a categorização, por exemplo, dá-se por meio da experiência; desse modo, os membros de uma categoria não possuem um mesmo estado, ou seja, há elementos que são mais exemplares, mais centrais (prototípicos), de uma determinada categoria, enquanto outros são mais periféricos, mais marginais (não prototípicos). Portanto, de acordo com essa perspectiva, as fronteiras entre as categorias não são nítidas e delimitadas. Dito isto, reforçamos a ideia de que tanto “na realidade” como “na verdade” não se limitam ao rótulo de “modalizadores epistêmicos”, já que postulamos que esses adverbiais podem exprimir diferentes nuances a depender do contexto em que se encontram, configurando-se em diferentes subtipos de epistêmicos.

13 Com relação à analogia, na Gramática de Construções Baseada no Uso, define-se como o “processo pelo qual o usuário passa a usar um novo item numa construção” (Bybee 2010). Tal uso se dá conforme à similaridade com usos antigos da construção. Tendo isso em vista, como já observado na própria definição das próprias “realidade” e “verdade”, e por se assemelharem também formal e funcionalmente na construção adverbial modalizadora, é possível postular que os usos de uma construção se dão por analogia aos usos da outra.

14Já com relação à configuração gramatical da língua, é válido dizer que, através da Gramática de Construções Baseada no Uso (Goldberg 1995, 2006; Croft 2001), entende-se que o conhecimento total que se tem da língua é captado por uma rede de construções, estas entendidas como pareamentos de forma (fonologia, morfologia, sintaxe) e sentido (semântica, pragmática, discurso). Sendo assim, consideramos que “na verdade”, ao ter como escopo uma oração como um todo, a princípio, pode ser representada da seguinte maneira: [[na verdade]Adverbial Modalizador Or]; enquanto “na realidade”, de maneira muito semelhante, pode ser representada assim: [[na realidade]Adverbial Modalizador Or]. Entretanto, essas representações podem ser ainda mais especificadas se ao longo da análise nos depararmos com outros usos que contenham “na verdade”, mas que se distinguem em alguma medida configurando-se em novos padrões de uma mesma construção.

15Porém, é válido lembrar que também nos valemos da noção de “aloconstrução”, ou seja, variação entre construções. Segundo Capelle (2006, p.18)2, “a maneira como podemos conceber dois padrões como relacionados” é “considerando-os como “aloconstruções”, isto é, “realizações estruturais variantes de uma construção que é deixada parcialmente subespecificada.”. A respeito disso, Machado Vieira, Wiedemer (2019, 90) também afirmam que “duas ou mais construções [...] podem ser associadas por força de analogia e, então, podem ser socialmente rotinizadas e cognitivamente estocadas como alternativas construcionais (aloconstruções).”

16Sendo assim, com base nisso, verificaremos se “na realidade” e “na verdade” podem ser denominadas aloconstruções, observando em quais contextos de uso uma construção pode substituir a outra sem prejuízo de sentido.

III. Construções adverbiais modalizadoras epistêmicas

17Sobre os adverbiais modalizadores, especificamente, Ilari et al (1990) e Moraes Pinto (2008), consideram três tipos: epistêmico, de atitude proposicional e ato de fala, pois são estes que têm como escopo a oração. No entanto, o trabalho dos autores se atém aos adverbiais modalizadores terminados em -mente. Aparentemente, as locuções adverbiais iniciadas por preposição, como “com certeza” (Gonçalves 2021), “sem dúvida”, “na verdade”, “na realidade”, “de fato” e “por certo”, entre os valores discursivo-pragmáticos mencionados, todas exprimem valor epistêmico. Em termos gerais, tal tipo de adverbial expressa uma avaliação sobre o conteúdo da oração, imprimindo-lhe certo grau de certeza racional por parte do falante.

18Castilho (2016) ao tratar dos modalizadores epistêmicos, divide-os em asseverativos afirmativos, asseverativos negativos e quase asseverativos. O autor define os modalizadores epistêmicos asseverativos – os que formam parte desse estudo – como aqueles que:

expressam uma avaliação sobre o valor da verdade da sentença, cujo conteúdo o falante apresenta como uma afirmação ou uma negação que não dão margem a dúvidas, tratando-se, portanto, de uma necessidade epistêmica. Desse tipo de predicação decorre um efeito colateral, que é manifestar o falante um alto grau de adesão ao conteúdo sentencial (Castilho 2016, 555)

19 Anteriormente a Castilho, Neves (2011, 245) também já havia afirmado que “o que os advérbios modalizadores epistêmicos fazem é asseverar, é marcar uma adesão do falante ao que ele diz, adesão mediada pelo seu saber sobre as coisas.”. A autora subdivide tais adverbiais em asseverativos afirmativos, negativos e relativos. Dentre esses subtipos, os que se aproximam deste trabalho são os afirmativos, que são demarcados por suas distintas acepções: evidência (evidentemente, reconhecidamente), irrefutabilidade (incontestavelmente, indubitavelmente, indiscutivelmente), verdade dos fatos (verdadeiramente, realmente, na realidade), naturalidade dos fatos (naturalmente, obviamente, logicamente) e simples crença ou certeza do falante (efetivamente, certamente, seguramente, com certeza, sem dúvida (alguma), mesmo).

20Como podemos observar, entre os exemplos de adverbiais citados pela autora e mencionados anteriormente, “na realidade” se encontra entre os epistêmicos que exprimem “verdade dos fatos”. E é, por sua vez, visto pela autora como similar a outros adverbiais usados para expressão de "verdade dos fatos" que não estão em foco nesta investigação. Vejamos os dados em uso apresentados pela autora:

  1. “Havia muita gente que queria saber o que os outros sabiam, ao mesmo tempo que não queriam revelar o que na realidade sabiam. (CRU)”. (Neves 2011, 246).

  2. “Na realidade, não há idades para as surpresas. (BS).” (Neves 2011, 247).

21Neves (2011) não discute tais dados, mas, ao que parece, no exemplo reportado em (3), “na realidade” além de estar bastante próximo do verbo “saber”, assemelhando-se a “de fato”, “realmente” e “de modo real”, é um pouco mais composicional do que no exemplo em (4). Em (4), através de “na realidade”, o falante parece bem mais exprimir uma reformulação, isto é, de certo modo, atualiza a ideia sobre “surpresas”, afirmando que “não há idades” específicas para recebê-las.

22Em relação a “na verdade”, a autora não faz nenhuma menção, mas de acordo com Cunha, Marinho (2017), “na verdade” atua como conector e sinaliza a relação discursiva de reformulação:

porque impõe uma releitura de informação com origem em um constituinte textual previamente elaborado. Sendo assim, do ponto de vista relacional, na verdade opera uma revisão do que foi enunciado antes, embora não suprima ou apague a informação anterior. Com essa expressão, o locutor/autor indica que procede a uma recapitulação da informação previamente enunciada, para atualizá-la, contestá-la, reforçá-la ou extrair dela o essencial. (Cunha, Marinho 2017, 61)

23Os autores destacam que “na verdade” também “funciona como um recurso para atacar, rejeitar ou colocar sob suspeita o discurso do interlocutor imediato”. (Cunha, Marinho 2017, 63). Conforme visto, Cunha; Marinho apresentam “na verdade” como “conector”. Apesar de também entendermos que “na verdade” tem esse papel, já que, aparentemente, sempre se conecta a uma oração ou ideia mencionada anteriormente, aqui preferimos chamá-lo de modalizador epistêmico, conforme a denominação que vimos sobre “na realidade”, já que ambos adverbiais parecem se comportar de maneira semelhante.

24 Em vista disso, quando “na realidade”, “na verdade” se encontram com valor modalizador, podemos considerá-los como construção modalizadora epistêmica.

25Martín Zorraquino (2015), por exemplo, ao estudar os adverbiais de “modalidade epistêmica” (evidentemente, naturalmente, por supuesto, en efecto, sin duda etc.) no espanhol atual, aponta que:

os elementos analisados servem fundamentalmente para reforçar a asserção (signos que destacam o evidente) ou para ponderá-la (trata-se, mais especificamente, dos signos que enfatizam a certeza: certamente, verdadeiramente). Mas, na construção do discurso, empregam-se, com esse valor, para outros objetivos: por exemplo, para justificar a conclusão em um conjunto argumentativo de tipo ilativo-consecutivo (exemplo 35) ou para destacar o primeiro elemento de uma construção adversativa (p. 55).3

26Sendo assim, os modalizadores epistêmicos podem também, a depender do contexto, funcionar como articuladores conclusivos ou enfáticos.

IV. Metodologia

27A metodologia desse trabalho pauta-se em uma análise qualitativa, com base em levantamento de ocorrências de “na verdade” e “na realidade” no Corpus do Português4 (Davies, Ferreira 2006-), criado pelo professor Mark Davies. Para isso, pretendemos utilizar mais especificamente a aba Now (News On the Web), que, geralmente, apresenta dados oriundos de sites de notícias ou blogs. Por se tratar de um estudo preliminar, a análise aqui apresentada terá como base 50 ocorrências de “na realidade” e 50 ocorrências de “na verdade” no Corpus do Português, considerando dados contidos no período 2019.1 do corpus. Para termos uma noção da frequência geral dessas duas locuções adverbiais, apresentamos a seguir os números fornecidos pelo próprio corpus:

Image 10000000000006EE00000161AA57475598A7517A.png

Figura 1: Frequência de “na realidade” no Corpus do Português (2018-2019).

Image 10000000000006EB000001AC0C287B2B792E4B8C.png

Figura 2: Frequência de “na verdade” no Corpus do Português (2018-2019).

28Para a análise, temos como objetivo observar os seguintes parâmetros: i) sentido da construção; ii) a ordenação da locução adverbial na oração; iii) grau de composicionalidade da locução adverbial no contexto de uso; iv) presença/ausência de elementos que reforcem o papel das construções adverbiais; e v) fala reportada ou não.

29Considerando tais parâmetros, postulamos que, assim como o modalizador epistêmico “com certeza”, “na verdade” e “na realidade” podem apresentar diferentes (i) sentidos conforme o contexto em que se encontram, podendo configurar-se em diferentes padrões de uso da mesma construção. No entanto, entre esses sentidos e contextos dessas construções, supomos que há contextos em comum em que “na realidade” e “na verdade” podem ser intercambiáveis (aloconstruções). Com relação à ordenação (ii), pelo caráter conectivo e modificador de oração dessas construções, pensamos que elas ocorrerão, preferencialmente, em início de oração. A respeito da composicionalidade (iii), por se tratar de construções modalizadoras, a tendência é que se apresentem com sentido não-composicional. Também por serem modalizadoras epistêmicas, isto é, que expressam uma avaliação e certo grau de conhecimento por parte do falante, é provável que ocorram acompanhadas por outros elementos que reforcem tal avaliação (outros adverbiais, adjetivos, etc.). E, por fim, por se tratar de um corpus que contém, sobretudo, notícias, provavelmente, a maioria dos dados ocorram em fala reportada (discurso direto).

V. Análise de dados: comparando “na realidade” e “na verdade”

30Apresentaremos aqui primeiramente a análise dos padrões de uso de “na realidade” encontrados na nossa amostra coletada para este artigo. Em seguida, apresentaremos a análise dos usos de “na verdade”, comparando-os com os usos já discutidos de “na realidade”. Comecemos pelo seguinte dado:

  1. Tempo Real: no GloboEsporte.com, a partir das 14h # Correção: quando inicialmente publicada, esta reportagem dizia que Neymar sofreu uma fratura no tornozelo. Na realidade, houve um rompimento no ligamento do tornozelo. A informação foi corrigida às 16h25. (ge.globo.com)

31Nesse dado, em que “na realidade” se encontra à margem esquerda da oração, há uma reformulação de uma notícia outrora publicada, isto é, por meio desse adverbial, introduz-se a retificação de uma informação que já havia sido dada. No contexto apresentado, há elementos linguísticos que reforçam esse sentido, como “C orreção”, “A informação foi corrigida”, esclarecendo-se, desse modo, o que realmente houve com o tornozelo do jogador Neymar. Tais elementos evidenciam que a função sobressalente desse adverbial, nesse contexto de uso, é a de retificador. Assim, também sobressai uma intenção comunicativa mais objetiva do redator, já que tampouco há elementos no entorno de “na realidade” que imprimam avaliação/opinião da pessoa que escreve sobre o ocorrido.

32No dado em (6), observamos que, através de “na realidade”, o falante também introduz reformulação de uma informação dada anteriormente. Porém, é possível notar que há certa diferença do dado anterior. Vejamos:

  1. São duas propostas em tramitação. Uma pretende reajustar o salário dos vereadores em 325%. O segundo projeto pretende ampliar o número de vereadores de nove para 13. As propostas são assinadas pela mesa diretora da câmara. # O primeiro secretário da Casa, o vereador Genivaldo Marques (PSDB) defende as alterações. Explicou que as mudanças seguem as regras da Constituição Federal e que há orçamento para isso. # “Na realidade não é um aumento, estamos retornando naquilo que era no passado, daquela polêmica, e estamos consertando esse erro. Mesmo tendo esse número maior de vereadores nesse subsídio que estamos colocando ainda vai sobrar economia para Santo Antônio da Platina”, afirmou o vereador Genivaldo Marques. (g1.globo.com)

33Para contextualizar, esse dado insere-se em uma fala reportada de um vereador em uma notícia que retrata a proposta de reajuste no salário dos vereadores e aumento do número de vereadores. Por ser uma informação pública que pode desagradar a população, o vereador tenta amenizar a situação, negando que seja um aumento e afirmando que é um conserto de erro do passado. Com o “na realidade”, o falante retoma, de certo modo, algo que já havia sido afirmado sobre o tema pelo noticiário – de que se tratava de um aumento –, na tentativa de esclarecer e atenuar a possível negatividade das propostas que haviam sido apresentadas pela notícia. Como já observamos, esse dado pertence a uma fala reportada, fazendo-se evidente a presença do falante. Assim, ao contrário do que vimos no dado em (5), aqui a subjetividade é clara e estruturas usadas na primeira pessoa do plural e acompanhadas de gerúndio, como “estamos retornando” e “estamos consertando”, reforçam a intenção atenuadora do falante/vereador. Desse modo, além de reformulador/retificador, o papel sobressalente de “na realidade”, nesse caso, é o de atenuador.

34 Com relação à composicionalidade de “na realidade”, tanto no dado em (5) como no dado visto em (6), aparentemente, há certa composicionalidade, pois ainda se vê uma ligação com a realidade (“o mundo real”, “verdadeiro”). Porém, não é tão composicional como o dado em (7), que parece representar tal “realidade” como um “lugar real” em contraposição a um “lugar fictício”. Vejamos:

  1. Dixon é um sujeito que mede sua vida por cigarros. Até o almoço pode fumar dois. Antes do chá das cinco já mandou mais três para o pulmão. E, depois da gosmenta sopa de músculo da pensão onde vive, tem direito a um último morrete. São os melhores momentos de seu dia como professor de história em uma pequena e provinciana universidade inglesa. Jim é um angry young man, “um jovem homem raivoso”. Na realidade, assim seria definida a geração do inglês Kingsley Amis (1922-1995), um dos principais escritores britânicos do pós-guerra, como o poeta Philip Larkin e o dramaturgo Harold Pinter. Eles são ácidos no comentário dos costumes de uma Inglaterra conformada, obesa e saudosista. (em.com.br)

35Em (7), por meio de “na realidade”, o redator contrapõe a vida do personagem fictício Dixon à vida do sujeito real, o escritor britânico do pós-guerra, Kingsley Amis. Desse modo, ao dizer “na realidade”, parece mais exprimir o “lugar”, “o mundo real”, do que uma modalização epistêmica. Nesse caso, então, a “realidade” é mais composicional, isto é, tem seu sentido mais transparente do que nos outros dados que discutimos até o momento. Assim, podemos dizer que se trata de um valor locativo e não de um reformulador (retificador, atenuador).

36Através dos dados anteriores, pudemos perceber que “na realidade” não possui um sentido único, pois seu sentido se molda de acordo com o contexto em que é usado. Por isso, a sua composicionalidade também varia de acordo com o contexto e os elementos (avaliativos ou não) no seu entorno nos ajudam a depreender seu sentido em cada uso específico. Por outro lado, é válido dizer que, entre todos os dados da nossa amostra, todas as ocorrências de “na realidade” se dão encabeçando uma oração, conforme vimos nos exemplos já apresentados. Vejamos a seguir como ocorrem os usos de “na verdade”:

  1. Quando é uma pessoa importante para você, você faz de tudo para ajudar. E não é um trabalho, uma dificuldade, uma responsabilidade. É o mínimo como ser humano, independe de ele ser o meu marido. A depressão tem muitos altos e baixos. Tá muito feliz, tá muito triste. Não dá para entender. Você pensa será que ele é bipolar? Na verdade, é depressão. Tem que ficar atento!”, alertou. (purepeople.com.br)

37Em (8), trata-se de uma fala reportada em que a falante dá o seu depoimento sobre a depressão de seu marido. Nesse caso, através de “na verdade”, introduz-se um esclarecimento/reformulação sobre a enfermidade que, de fato, o marido está lidando: a depressão. No entanto, antes de asseverar isso, a falante apresenta questionamento sobre sua observação a respeito do comportamento do marido: “Tá muito feliz, tá muito triste”, “Você pensa será que ele é bipolar?” e, em seguida, apresenta, por meio de “na verdade”, que se trata de depressão. Nesse caso, então, além de reformulador, podemos dizer que “na verdade” apresenta um valor de conclusão lógica evidencial, semelhantemente a um dos usos de “com certeza” (cf. Gonçalves, 2021).

38No dado em (9), que se trata também de uma fala reportada, podemos ver um uso parecido ao anterior:

  1. Adiantando um pouco sobre a novela, Thaïs conta que Alberto está prestes a ir à falência, ao mesmo tempo em que enfrenta uma doença terminal. “A perspectiva dele muda quando conhece a sonhadora Paloma (Grazi Massafera), costureira, mães de três filhos e moradora do bairro carioca de Bonsucesso. Ela o ensina a redescobrir os prazeres da vida. Na verdade, a novela aborda o viver, a celebração da vida, a valorização de cada dia, de cada momento”. A atriz também diz que está muito feliz também em poder atuar ao lado de pessoas tão especiais. (em.com.br)

39Nesse exemplo, a atriz/falante apresenta uma descrição específica da sua personagem e de sua vivência e, em seguida, exprime através da oração encabeçada por “na verdade”, sua perspectiva geral sobre do que se trata a novela. Sendo assim, de certo modo, ela manifesta uma conclusão lógica, com base nas evidências/argumentos apresentados anteriormente sobre sua personagem, sobre a abordagem da novela.

40No dado em (10), também se apresenta um dado de “na verdade” em que parece reformulador/retificador como “na realidade” (exemplo 6). Vejamos:

  1. Isso funciona ao contrário também. Se você quiser vender um jogador, seja para melhorar em uma posição ou para levantar dinheiro, você pode contratar um intermediário para divulgar isso. Ou, às vezes, o próprio empresário dele fará isso. Por quê? Porque se um clube divulga que um certo jogador está à venda, é apenas lógico pensar que o preço desse jogador despencará, afinal, o clube detentor dos direitos está interessado na venda. # P: Ok, então o que determina o preço de alguém? Como é um mercado livre, pode ser aquilo que o clube quiser pagar, não? # R: Não é bem assim. Na verdade, termos como “valor de mercado” não têm sentido nenhum. Claro que algumas coisas determinam o preço: talento, idade, nacionalidade, salários atuais e duração de o contrato. Mas na extremidade superior do mercado, esses fatores geralmente são distorcidos.

41Em (10), o falante contrapõe-se à pergunta de seu interlocutor de que “pode ser aquilo que o clube pagar”. Nesse caso, antes de inserir “na verdade” no seu discurso, o falante atenua sua posição com “não é bem assim” e, em seguida, introduz uma reformulação/retificação a respeito disso por meio do uso de “na verdade”, que também tem seu valor atenuador reforçado com o uso da estrutura “claro que”. Podemos dizer, então, que aqui temos um uso bem semelhante ao uso de “na realidade”, conforme visto no exemplo (6).

42Tendo em vista essa discussão de dados, podemos considerar que, dentro da categoria de modalizadores epistêmicos (asseverativos), “na realidade” e “na verdade” sobressaem como reformuladores. Mas é válido dizer que, dentro dessa subcategoria, há especificações de sentidos em comum que passeiam entre os usos dessas construções, como: retificador, atenuador e conclusão lógica evidencial. Pelo fato de haver esses sentidos em comum (fator i) que se concretizam em contextos de uso semelhantes, além de possuírem uma ordenação fixa (fator ii) à margem esquerda da oração, é possível dizer que “na realidade” e “na verdade” podem configurar-se como aloconstruções . Entretanto, conforme vimos no exemplo (7), “na realidade”, além dos sentidos mencionados anteriormente, pode ocorrer em contexto que indica lugar. De acordo com a nossa amostra de dados, aparentemente, isso não ocorre com “na verdade”. Possivelmente, essa diferença dá-se pela natureza dos substantivos “realidade” e “verdade”. Enquanto, “realidade” pode ocorrer mais composicionalmente para se referir ao “mundo real” (um lugar concreto), “verdade” não indica um lugar no “mundo verdadeiro” ou “mundo real”. Logo, podemos dizer também que, quando esses adverbiais ocorrem como modalizadores, são menos composicionais (fator iii) do que esse uso de “na realidade” como locativo.

43Ratificamos que, com relação à ordenação (fator ii) desses adverbiais em suas respectivas construções, todas as ocorrências de nossa amostra (50 dados de “na realidade” e 50 dados de “na verdade”) se dão à margem esquerda da oração, consolidando suas representações conforme havíamos postulado: [[na verdade]Adverbial Modalizador Oração]; [[na realidade]Adverbial Modalizador Oração]. Nessas representações, cabem os usos desses adverbiais com os sentidos modalizadores em comum entre essas construções, mas para o uso de “na realidade” locativo, a representação deve ser moldada: [[na realidade]Adverbial Locativo Oração].

44Sobre os elementos estruturais que podem reforçar o sentido da construção (fator iv), em alguns contextos expressa-se através de estruturas negativas (como “não é bem assim”, “não é um aumento), de primeira pessoa do plural com gerúndio (como “estamos consertando”). Mas há usos em que não há presença evidente desse reforço através de elementos e, então, a força modalizadora se constrói no discurso como um todo, culminando na inserção de “na realidade” e “na verdade” encabeçando uma oração.

45Para finalizar, com relação a estar presente em “fala reportada” ou não (fator v), contabilizamos que 66% das ocorrências de “na realidade” (33 de 50 dados) ocorreram em fala não reportada, isto é, no texto do próprio redator. Semelhantemente, “na verdade” ocorre em 58% das ocorrências em fala não reportada (29 de 50 dados). Pelo fato de que a amostra coletada se constitui de notícias e textos de blogs, pode-se dizer que esse número é até equilibrado, já que não se trata de uma amostra essencialmente oral. Sendo assim, para verificar se tais construções são mais produtivas na escrita ou na oralidade, será necessário, em passos futuros, aumentar o tamanho da amostra de dados, lançando mão de outros corpora e outros gêneros textuais.

VI. Considerações finais

46A partir deste estudo foi possível ter uma visão preliminar baseada no uso de “na realidade” e “na verdade”. Podemos dizer que apresentamos uma pequena fatia do comportamento desses modalizadores, já que nos ativemos a um gênero textual e corpus específico. No entanto, através da discussão de dados e dos fatores analisados, pudemos observar com clareza que, em grande parte dos contextos de uso, tais adverbiais se configuram como aloconstruções, sobressaindo alguns sentidos em comum entre “na realidade” e “na verdade”: retificador, atenuador e conclusão lógica evidencial. No entanto, também observamos um uso particular de “na realidade” como locativo. Isso nos reforça a ideia de que a língua está em constante variação e os processos cognitivos têm papel primordial nisso.

47Através deste estudo, obtivemos um conhecimento melhor dos usos de “na realidade” e “na verdade”, observando suas semelhanças e particularidades. É possível que, ao ampliarmos nossa coleta de dados para outros corpora e incluirmos outros parâmetros de análise, encontremos ainda mais sentidos que podem ser expressos por essas construções adverbiais. Por isso, objetivamos futuramente, dar continuidade a essa pesquisa, ampliando também nossa perspectiva de análise para outras línguas de mesma origem, como o espanhol, por exemplo, que possui as construções “en realidad” e “en verdad”.

Bibliographie

BARLOW, M.; KEMMER, S. Usage based models of language. Stanford, California: CSLI Publications, 2000.

BYBEE, J. Language, usage and cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

CAPPELLE, B. Particle placement and the case for “allostructions”. Constructions. Special Volume 1, p. 1-28, 2006.

CASTILHO, A. T. de. Nova gramática do português brasileiro/ Ataliba T. de Castilho. – 1. ed., 4ª reimpressão – São Paulo: Contexto, 2016.

CROFT, W. Radical Construction grammar: syntactic theory in typological perspective. Oxford: Oxford University Press, 2001.

CUNHA, G. X.; MARINHO, J. H. C. A expressão conectiva na verdade: contribuições para uma abordagem polifônica dos conectores reformulativos. Signo, Santa Cruz do Sul, v. 42, n. 73, jan. 2017. ISSN 1982-2014. Disponível em: <https://online.unisc.br/seer/index.php/signo/article/view/7867>. Acesso em: 14/06/2022. Doi: http://dx.doi.org/10.17058/signo.v42i73.7867.

DAVIES, M. (2016-) Corpus do Português: Web/Dialects. Available online at http://www.corpusdoportugues.org/web-dial/.

DAVIES, M. and FERREIRA, M. (2006-) Corpus do Português: Historical Genres. Available online at http://www.corpusdoportugues.org/hist-gen/

GOLDBERG, A. E. Constructions: a construction grammar approach to argument structure. Chicago: The University of Chicago Press, 1995.

GOLDBERG, A. Constructions at work: the Nature of Generalization in Language. Oxford: Oxford University Press, 2006.

GONÇALVES, E. M. Com certeza na diacronia: uma análise centrada no uso. Dissertação (Mestrado em Linguística). Rio de Janeiro: Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021.

MACHADO VIEIRA, M. dos S.; WIEDEMER, M. L. (ed.). Dimensões e Experiências em Sociolinguística. São Paulo: Blucher Open Access, 2019. https://openaccess.blucher.com.br/article-details/03-21760.

MARTELOTTA, M. E; ALONSO, K. S. Funcionalismo, cognitivismo e a dinamicidade da língua. In: SOUSA, E.R et al. (org.). Funcionalismo linguístico: novas tendências teóricas. São Paulo: CONTEXTO, 2012.

MARTÍN ZORRAQUINO, M. A. De nuevo sobre los signos adverbiales de modalidad epistémica que refuerzan la aserción en español actual: propiedades sintácticas y semánticas, y comportamiento discursivo. In: ENGWALL, G.; FANT, L. (ed .) Festival Romanistica. Contribuciones lingüísticas – Contributions linguistiques – Contributi linguistici – Contribuições linguísticas. Stockholm Studies in Romance Languages. Stockholm: Stockholm University Press. 2015, p. 37–63.

MORAES PINTO, D. C. Gramaticalização e ordenação nos advérbios qualitativos e modalizadores em –mente. 2008. 199 f. Tese (Doutorado). Rio de Janeiro: Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

REALIDADE (verbete). In: Aulete Digital, o dicionário da língua portuguesa na internet. Lexikon, 2022. Disponível em: https://aulete.com.br/. Acesso em: 20/06/2022.

VERDADE (verbete). In: Aulete Digital, o dicionário da língua portuguesa na internet. Lexikon, 2022. Disponível em: https://aulete.com.br/. Acesso em: 20/06/2022.

TRAUGOTT, E.; TROUSDALE, G. Constructionalization and Constructional Changes. Oxford: Oxford University Press, 2013.

Notes

1 https://aulete.com.br/

2 The way we can conceive of two patterns as related is not by treating one as derived from the other but by considering them as “allostructions” – as variant structural realizations of a construction that is left partially underspecified. (Capelle 2006, 18).

3 los elementos analizados sirven fundamentalmente para reforzar la aserción (en el caso de los signos que destacan lo evidente) o para ponderarla (se trata, más bien, de los signos que enfatizan la certidumbre: ciertamente, verdaderamente). Pero, en la construcción del discurso, se emplean, con ese valor, para otros objetivos: por ejemplo, para justificar la conclusión en un conjunto argumentativo de tipo ilativo-consecutivo (ejemplo 35), o para destacar el primer elemento de una construcción adversativa (Martín Zorraquino 2015, 55).

4 Possui 1,1 bilhão de palavras de quatro países diferentes de língua portuguesa. No entanto, no recorte desta pesquisa, há dados apenas do português brasileiro.

Pour citer ce document

Ester Moraes GONÇALVES, «Entre “na realidade” e “na verdade”, alguns sentidos passeiam: um estudo centrado no uso», Reflexos [En ligne], N° 006, mis à jour le : 14/01/2023, URL : https://revues.univ-tlse2.fr:443/reflexos/index.php?id=1017.

Quelques mots à propos de :  Ester Moraes GONÇALVES

Universidade Federal do Rio de Janeiro

estergoncalves@letras.ufrj.br