Reflexos
Publication annuelle exclusivement en ligne hébergée sur le site des revues électroniques de l’Université Jean Jaurès, la revue Reflexos est un espace d’élaboration commun à distance, ouvert aux études lusophones.

N° 006

[Sommaire du numéro]

 

Vanessa MEIRELES et Marcia dos Santos MACHADO VIEIRA

Présentation du dossier : Variation linguistique dans des territoires de langue portugaise et de langues romanes

Texte intégral

1O presente dossiê temático, organizado por Marcia dos Santos Machado Vieira (Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ) e Vanessa Meireles (Université Paul-Valéry - Montpellier 3/UPVM), é um seguimento de ações e interações do projeto VariaR – Variação em línguas românicas (https://variar.wixsite.com/variar). Reúne colaborações nacionais e internacionais sobre abordagens teóricas, metodológicas e descritivas do Português, Espanhol e Francês e suas variedades. A escolha do tema vem a confirmar e refletir os avanços e perspectivas na área.

2Esta publicação também é, em parte, um produto do II Colóquio Internacional VariaR, realizado em junho de 2022 na Universidade Paul-Valéry (um evento híbrido, cujas conferências estão disponíveis no canal YouTube do projeto VariaR: https://www.youtube.com/watch?v=EzEBlwY0GN4). O principal objetivo deste colóquio, como já em sua primeira edição, é criar uma sinergia de intercâmbios institucionais e científicos de pesquisadores oriundos de diferentes universidades e países que trabalham sobre a variação fonético-fonológica, morfológica, sintática, lexical e textual-discursiva, bem como sobre suas interfaces, em Português e outras línguas românicas. Além do trabalho dos palestrantes que participaram deste encontro, reunimos no presente dossiê artigos de professores, pesquisadores e doutorandos de universidades do Brasil, Portugal, Alemanha e França, que nos enviaram suas reflexões sobre esta área específica de pesquisa. Há também contribuições selecionadas de alunos-pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Letras Vernáculas (PPGLEV) da UFRJ que participaram de uma disciplina ministrada pela professora-pesquisadora Marcia dos Santos Machado Vieira no primeiro semestre de 2022 com participação, a convite da mesma, da professora-pesquisadora Vanessa Meireles (Título da disciplina: Estudos de Interface I (LEV712/LEV812) – Português: língua materna e não materna). Essas contribuições estão organizadas conforme a sequência de sínteses a seguir.

3O texto de Aline Bazenga (Universidade da Madeira / Centro de Linguística da Universidade de Lisboa/CLUL), intitulado “Variação em construções possessivas pré-nominais do português: um estudo sobre os usos de falantes do Funchal (Ilha da Madeira, Portugal)”, abre o dossiê. A autora analisa a variação no uso de artigos definidos diante de possessivos pré-nominais com base em dados do Corpus Sociolinguístico do Funchal (CSF). O estudo contribui ao conhecimento do tema no âmbito das línguas românicas e das variedades do português, ao trazer resultados empiricamente motivados concernentes a uma variedade insular ainda pouco estudada do Português europeu, a saber a do Funchal, capital da Ilha da Madeira.

4A pesquisadora Gildaris Pandim (da Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris 3) no texto redigido em francês “Les variantes muito, maningue et bué en portugais” (“As variantes muito, maningue e bué em português”), debruça-se em dados do corpus África do ponto de vista lexicográfico, destacando as lacunas de dicionários da língua portuguesa em relação à variação morfossintática e demonstrando assim a necessidade de criar recursos que reflitam as particularidades da língua portuguesa escrita e falada nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). O artigo recenseia vários trabalhos que contribuem para um melhor conhecimento do Português falado nos PALOPs, sistematização útil para quem se dedica ao estudo da questão. Chama ainda a atenção para diferenças de uso de alguns lexemas nos países citados.

5Ester Moraes Gonçalves (da Universidade Federal do Rio de Janeiro), no artigo “Entre ‘na realidade’ e ‘na verdade’, alguns sentidos passeiam: um estudo centrado no uso”, apresenta uma análise preliminar com base em dados do Corpus do Português das expressões “na realidade” e “na verdade”, que apresentam sentidos similares. O enquadramento teórico da autora para esta análise é Linguística Funcional Centrada no Uso e a Gramática de Construções, atentando para a noção de variação entre construções (aloconstruções), explorando, de modo producente, o fenômeno de variação no âmbito dos adverbiais, com base na descrição de aspectos formais e funcionais de usos diferentes e similares.

6Em “O comportamento top de [topíssimo] e [topster] à luz da Linguística Funcional Centrada no Uso”, Karen Corrêa Motta (da Universidade Federal do Rio de Janeiro) apresenta uma descrição de formas de intensificar que normalmente não são expostas ou examinadas em lugares em que o Português é objeto de atenção. Há contribuição funcionalista e também construcionista ao olhar variação de unidades lexicais quanto à funcionalidade e à morfossintaxe de colocação em tuítes.

7Em “O padrão construcional [Verbo horrores] como estratégia de intensificação em tweets do Português Brasileiro”, outra estratégia de intensificação é analisada em tuítes. O artigo foi escrito por Letícia Freitas Nunes (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Nahendi Almeida Mota (Universidade Federal do Rio de Janeiro/Capes), e Marcia dos Santos Machado Vieira (Universidade Federal do Rio de Janeiro / Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro/Faperj e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico/CNPq). Nele, um tipo de construção de predicação verbal que se vale do intensificador [horrores] ganha a atenção sob olhar socioconstrucionista de língua como um diassistema. As autoras descrevem, entre outros aspectos, os significados que podem ser ativados em dados de uso dessa construção e os verbos que mais co-ocorrem na predicação. Trata-se de uma contribuição para o conhecimento científico de recursos de intensificação em Português do Brasil e para exposições sobre o tema que grassam em materiais a circularem em espaços de ensino.

8O texto intitulado “Dinâmicas sociolinguísticas e variação morfossintática no contínuo linguístico Espanhol-Português do Brasil”, de autoria de Patricia Vanessa de Ramos (Universidade de Augsburgo), trata da variação de pronomes átonos de terceira pessoa lo-los, la-las, le-les e de outras formas que são empregadas por falantes de uma variedade não padrão do Espanhol na posição de objeto direto anafórico de terceira pessoa. Algumas formas aproximam-se de formas do Português do Brasil. O texto mostra a dinamicidade dos empregos e lida com a questão de gramaticalização de formas analisadas na comunidade de fala de Oberá-misiones, na Argentina, região de contato Português-Espanhol. Busca, ainda, descrever o mosaico cultural e linguístico de Oberá lançando mão de documentos históricos e de estudos antropológicos. Assim, o estudo examina o contínuo linguístico Espanhol-Português do Brasil, oferecendo contribuição importante para a área de contato sociolinguístico.

9Em “Predicadores de passividade com verbo suporte no Português e no Espanhol: a diassistematicidade em rede”, Ravena Beatriz de Sousa Teixeira (da Universidade Federal do Rio de Janeiro) também trata de dados do Português e do Espanhol e de construções de passividade com verbo levar/llevar a partir de dados da plataforma Sketch Engine. Ilustra a rede de padrões construcionais associados ao uso desses predicadores, prevendo a existência de uma construção mais esquemática, de natureza interlinguística (diaconstrução) nas duas línguas românicas estudadas. O artigo contribui ao trabalho com as potencialidades de estruturação de passividade no Português e no Espanhol ao tratar de construção de predicação que normalmente não é abordada, apresentando inclusive, de modo didático, a metodologia da análise.

10Jeane Nunes da Penha (da Universidade Federal do Rio de Janeiro), no texto intitulado “Não se faz de difícil! / ¡No hagas el difícil! Vem conhecer uma análise diassistêmica!”, também compara dados de predicações do Português e do Espanhol, a partir de dados da plataforma Sketch Engine, que conceitualizam tipos de simulação. Partindo do pressuposto de que existe uma diaconstrução abstrata comum, a autora apresenta dados quali-quantitativos para a análise de usos nas duas línguas em foco. Como destaque, temos o tratamento de um tipo de predicação (representação) que não costuma figurar nas exposições didáticas ou gramaticais, podendo interessar ao trabalho com essas línguas em espaços de língua materna ou adicional. Além disso, trata-se de um contributo em termos de passo a passo metodológico.

11Em “Predicadores complexos com o verbo suporte ‘bancar’: uma análise construcional”, Jady Geovana Veroneses Alves (da Universidade Federal do Rio de Janeiro) trata, à luz da Gramática de Construções, de um tipo de predicação complexa com o verbo ‘bancar’ que não costuma estar nas exposições didáticas ou gramaticais do Português. Pode, portanto, interessar a leitores tanto no âmbito de estudos quanto de ensino da língua portuguesa, além de trazer exemplos de espaços virtuais de comunicação (site Google Notícias e redes sociais Facebook, Twitter e Instagram).

12Maria Cristina Vieira Bastos (da Universidade Federal do Rio de Janeiro), em “Construções (semi)-idiomáticas com [VPAGARX] e [VPAGAR deX]: vexação e fingimento na construção de sentido”, trata de um tema que normalmente não figura nas descrições linguísticas: expressões com verbo que têm comportamento mais ou menos idiomático. Estas normalmente são vistas em manuais de lexicologia. A autora trata, então, de lhes dar uma apresentação que as põe no cerne da descrição gramatical. O artigo contém descrição de usos recorrendo a duas bases de dados do Português do Brasil com farta exemplificação (Corpus do Português e Dicionário inFormal), que parece ser interessante ao trabalho em espaços de língua materna ou adicional.

13“‘Vai que’ e ‘quem sabe’: o que há de novo com essas construções?”, escrito por Julia Pinheiro Soares da Silva (da Universidade Federal do Rio de Janeiro), centra-se no operador argumentativo “vai que” e no modalizador discursivo “quem sabe” a partir de dados de vídeos do YouTube retirados da plataforma Youglish. Lida com o processo de gramaticalização dessas unidades linguísticas sob olhar que relaciona a Gramática de Construções Centrada no Uso e a Sociolinguística e que procura examinar a intercambialidade dessas unidades.

14Marcelo Rodrigues Affonso Junior (da Universidade Federal do Rio de Janeiro), em “Cláusulas insubordinadas: um breve olhar interlinguístico” lida com dados de duas línguas, o Português e o Francês, oriundos de duas fontes: folhetins do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro e do Jornal Figaro do século XIX. Aborda o fenômeno da insubordinação e aponta resultados de congruência entre as escolhas formais para as cláusulas insubordinadas em ambos os jornais escritos nas duas línguas românicas analisadas.

15Em “Variação em línguas românicas: ações do projeto VariaR como contributos de ciência aberta e cidadã”, Marcia dos Santos Machado Vieira (Universidade Federal do Rio de Janeiro/Faperj e CNPQ) e Vanessa Meireles (Universidade Paul-Valéry – Montpellier 3) traçam movimentos, trilhas e horizontes relativos ao intento de incorporar sujeitos, corpora e informações que viabilizem a comparação das línguas românicas em uso no mundo, o amplo conhecimento de seus diassistemas e o trabalho com eles em espaços de ciência e educação respaldado por dados da realidade heterogênea e pluricultural. Tratam particularmente de ações planejadas para viabilizar o portal inCorpora, que busca abrigar contribuições que permitam um painel rico das variações em línguas românicas. Entre essas contribuições, descrevem o Portal digital de estados de coisas em Português e línguas românicas a variar e ensinar.

16Oferecemos ao público-leitor, assim, um panorama de fenômenos linguísticos em variação. Agradecemos aos autores por compartilharem os resultados e as discussões de seus trabalhos com a comunidade científica interessada. Agradecemos também ao comité científico do II Colóquio Internacional VariaR e, no processo de avaliação dos artigos submetidos a este dossiê, especialmente, a Ana Cristina Braz (Universidade Aberta de Portugal), Danielle Kelly (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Heglyn Pimenta (Universidade Paris 8), Maria Cecilia Mollica (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Niguelme Cardoso Arruda (Instituto Federal de Santa Catarina), Sandra de Caldas (Universidade Paris 8), Silvana Silva de Farias Araújo (Universidade Estadual de Feira de Santana), por terem contribuído com sua expertise para a seleção de artigos submetidos ao dossiê. A versão final de cada texto, de inteira responsabilidade dos autores, certamente foi enriquecida pelas observações realizadas. Agradecemos também a Joan Simpson, aluna do mestrado de Línguas Estrangeiras Aplicadas (LEA) com especialização em tradução inglês-português na Universidade Paul-Valéry – Montpellier 3, pela revisão dos resumos dos artigos em inglês. Agradecemos, especialmente, ao Professor Doutor Marc Gruas (da Universidade de Toulouse) pela acolhida da proposta deste dossiê, por todo o apoio e toda a liberdade que ele e sua equipe nos deram para a edição do dossiê.

Présentation du dossier : Variation linguistique dans des territoires de langue portugaise et de langues romanes

17Le présent dossier thématique, organisé par Marcia dos Santos Machado Vieira (Université Fédérale de Rio de Janeiro/UFRJ) et Vanessa Meireles (Université Paul-Valéry – Montpellier 3/UPVM), fait suite aux actions et interactions du projet VariaR – Variation dans les langues romanes (https://variar.wixsite.com/variar). Il rassemble des collaborations nationales et internationales sur des approches théoriques, méthodologiques et descriptives du portugais, de l’espagnol et du français et de leurs variétés. Le choix du thème confirme et reflète les avancées et les perspectives dans ce domaine.

18Cette publication est également, en partie, un produit du IIe Colloque International VariaR, qui s’est tenu en juin 2022 à l’Université Paul-Valéry (un événement hybride, dont les conférences sont disponibles sur la chaîne YouTube du projet VariaR : https://www.youtube.com/watch?v=EzEBlwY0GN4). L’objectif principal de ce colloque, comme lors de sa première édition, est de créer une synergie d’échanges institutionnels et scientifiques de chercheurs provenant de différentes universités et pays travaillant sur la variation phonétique-phonologique, morphologique, syntaxique, lexicale et textuelle-discursive, ainsi que sur leurs interfaces, en portugais et autres langues romanes. Outre les travaux des intervenants qui ont participé à cette rencontre, nous avons réuni dans ce dossier des articles de professeurs et de chercheurs, d’enseignants et de doctorants d’universités du Brésil, du Portugal, d’Allemagne et de France, qui nous ont fait part de leurs réflexions sur ce domaine spécifique de la recherche dans le monde lusophone. Il y a aussi des contributions sélectionnées d’étudiants-chercheurs du Programme de troisième cycle en lettres Vernaculaires (Programa de Pós-graduação em Letras Vernáculas/PPGLEV) de l’Université Fédérale de Rio de Janeiro qui ont participé à un cours donné par l’enseignante-chercheuse Marcia dos Santos Machado Vieira au premier semestre 2022 avec la participation de l’enseignante-chercheuse Vanessa Meireles (Titre du cours : Études d’interface I (LEV712/LEV812) – Portugais : langue maternelle et langue non maternelle). Ces contributions sont organisées selon la séquence de synthèses suivante :

19Le texte d’Aline Bazenga (Université de Madère / Centre de Linguistique de l’Université de Lisbonne/CLUL), intitulé « Variação em construções possessivas pré-nominais do português : um estudo sobre os usos de falantes do Funchal (Ilha da Madeira, Portugal » (« Variation dans les constructions possessives pré-nominales du portugais : une étude des usages de locuteurs madériens (Funchal, île de Madère, Portugal) »), ouvre le dossier. L’auteur analyse la variation de l’utilisation des articles définis devant les possessifs prénominaux en se basant sur les données du Corpus Sociolinguistique de Funchal (CSF). L’étude contribue à la connaissance du sujet dans le cadre des langues romanes et des variétés de portugais, en apportant des résultats empiriquement motivés concernant une variété insulaire du portugais européen qui a été peu étudiée, à savoir celle de Funchal, la capitale de l’île de Madère.

20La chercheuse Gildaris Pandim (Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3), dans le texte « Les variantes muito, maningue et bué en portugais », s’intéresse aux données du corpus áfrica d’un point de vue lexicographique, mettant en évidence les lacunes des dictionnaires de langue portugaise en ce qui concerne la variation morphosyntaxique et démontrant ainsi la nécessité de créer des ressources qui reflètent les particularités de la langue portugaise écrite et parlée dans les Pays Africains de Langue Officielle Portugaise (PALOP). L’article énumère plusieurs ouvrages qui contribuent à une meilleure connaissance du portugais parlé dans les PALOP, une systématisation utile pour ceux qui étudient la question. L’auteur attire également l’attention sur certaines différences dans l’utilisation de certains lexèmes dans les pays cités.

21Ester Moraes Gonçalves (de l’Université Fédérale de Rio de Janeiro), dans l’article « Entre ‘na realidade’ e ‘na verdade’, alguns sentidos passeiam : um estudo centrado no uso (« Entre ‘na realidade’ et ‘na verdade’, certains sens errent : une étude centrée sur l’usage »), présente une analyse préliminaire basée sur les données du Corpus do Português des expressions « na realidade » et « na verdade », qui ont des significations similaires. Le cadre théorique de l’auteur pour cette analyse est la Linguistique Fonctionnelle Centrée sur l’Usage et la Grammaire des Constructions, en prêtant attention à la notion de variation entre les constructions (alloconstructions), en explorant, de manière productive, le phénomène de variation en ce qui concerne les adverbiaux, sur la base de la description des aspects formels et fonctionnels des usages différents et similaires.

22Dans « O comportamento top de [topíssimo] e [topster] à luz da Linguística Funcional Centrada no Uso » (« Le fonctionnement de ‘top’ dans [topíssimo] et [topster] à la lumière de la Linguistique Fonctionnelle Fondée sur l’Usage »), Karen Corrêa Motta (Université Fédérale de Rio de Janeiro) présente une description des formes d’intensification qui ne sont généralement pas exposées ou examinées dans les lieux où le portugais est l’objet d’attention. Il s’agit d’une contribution fonctionnaliste et constructionniste dans l’examen de la variation des unités lexicales en termes de fonctionnalité et de morphosyntaxe de collocation dans les tweets.

23Une autre stratégie d’intensification est analysée dans les tweets dans « O padrão construcional [Verbo horrores] como estratégia de intensificação em tweets do Português Brasileiro » (« La construction [Verbe horrores] comme stratégie d’intensification dans les tweets en portugais brésilien »). L’article a été rédigé par Letícia Freitas Nunes (Université Fédérale de Rio de Janeiro), Nahendi Almeida Mota (Université Fédérale de Rio de Janeiro/Capes) et Marcia dos Santos Machado Vieira (Université Fédérale de Rio de Janeiro, Fondation pour le soutien à la recherche de l’État de Rio de Janeiro/Faperj et Conseil national pour le développement scientifique et technologique Brésilien/CNPq). Dans ce document, un type de construction de prédicat verbal qui utilise l’intensificateur [horrores] retient l’attention dans le cadre d’une vision socio-constructionniste de la langue en tant que di-système. Les auteurs décrivent, entre autres aspects, les significations qui peuvent être activées dans les données d’usage de cette construction et les verbes qui cooccurrent le plus dans la prédication. Il s’agit d’une contribution à la connaissance scientifique des ressources d’intensification en portugais brésilien et aux expositions sur le sujet qui sont diffusées dans les matériaux circulant dans les espaces d’enseignement.

24Le texte intitulé « Dinâmicas sociolinguísticas e variação morfossintática no contínuo linguístico Espanhol-Português do Brasil » (« Dynamique sociolinguistique et variation morphosyntaxique dans le continuum linguistique espagnol-portugais du Brésil ») de Patricia Vanessa de Ramos (Université d’Augsbourg) traite de la variation des pronoms non accentués de troisième personne lo-los, la-las, le-les et d’autres formes employées par les locuteurs d’une variété d’espagnol non standard en position d’objet direct anaphorique de troisième personne. Certaines formes sont proches des formes du portugais brésilien. Le texte montre la dynamique des usages et aborde la question de la grammaticalisation des formes analysées dans la communauté linguistique d’Oberá-misiones, en Argentine, une région de contact portugais-espagnol. L’auteur cherche également à décrire la mosaïque culturelle et linguistique d’Oberá à l’aide de documents historiques et d’études anthropologiques. Ainsi, l’étude examine le continuum linguistique espagnol-portugais du Brésil, offrant une contribution importante au domaine du contact sociolinguistique.

25Dans « Predicadores de passividade com verbo suporte no Português e no Espanhol : a diassistematicidade em rede » (« Prédicateurs de la passivité avec verbe support en portugais et en espagnol : un réseau de diasystématicité »), Ravena Beatriz de Sousa Teixeira (Université Fédérale de Rio de Janeiro) traite également des données du portugais et de l’espagnol et des constructions de passivité avec le verbe levar/llevar à partir des données de la plateforme Sketch Engine. L’auteur illustre le réseau de schémas constructifs associés à l’utilisation de ces prédicateurs, prédisant l’existence d’une construction plus schématique de nature interlinguistique (diaconstruction) dans les deux langues romanes étudiées. L’article contribue au travail sur les possibilités de structuration de la passivité en portugais et en espagnol en traitant une construction prédicative qui n’est pas habituellement abordée, en présentant également, de manière didactique, la méthodologie de l’analyse.

26Jeane Nunes da Penha (de l’Université Fédérale de Rio de Janeiro), dans le texte intitulé « Não se faz de difícil ! / ¡No hagas el difícil ! Vem conhecer uma análise diassistêmica ! » (« Não se faz de difícil ! / ¡No hagas el difícil ! (Ne fais pas le difficile) Venez apprendre une méthode d’analyse diasystémique ! »), compare également les données des prédications du portugais et de l’espagnol, sur la base des données de la plateforme Sketch Engine, qui conceptualise les types de simulation. Partant de l’hypothèse qu’il existe une diaconstruction abstraite commune, l’auteur présente des données quali-quantitatives pour l’analyse des usages dans les deux langues visées. Le point culminant est le traitement d’un type de prédication (représentation) qui habituellement ne figure pas dans les exposés didactiques ou grammaticaux, ce qui peut être intéressant pour le travail avec ces langues dans les espaces de langue maternelle ou de langue additionnelle. En outre, il s’agit d’une présentation détaillée étape par étape de la méthodologie utilisée.

27Dans « Predicadores complexos com o verbo suporte bancar : uma análise construcional » (« Prédicateurs complexes avec le verbe support bancar : une analyse constructionnelle ») Jady Geovana Veroneses Alves (de l’Université Fédérale de Rio de Janeiro) traite, à la lumière de la Grammaire des Constructions, d’un type de prédication complexe avec le verbe ‘bancar’ qui ne se trouve pas habituellement dans les exposés didactiques ou grammaticaux du portugais. Il peut, par conséquent, intéresser les lecteurs tant dans le domaine des études aussi bien que de l’enseignement de la langue portugaise, en plus d’apporter des exemples d’espaces de communication virtuels (site web de Google Actualités et réseaux sociaux Facebook, Twitter et Instagram).

28Maria Cristina Vieira Bastos (de l’Université Fédérale de Rio de Janeiro), dans « Construções (semi)-idiomáticas com [VPAGARX] e [VPAGAR deX] : vexação e fingimento na construção de sentido » (« Constructions (semi)idiomatiques avec [V PAGARX] et [VPAGAR deX] : vexation et prétention dans la construction du sens »), traite d’un sujet qui ne figure généralement pas dans les descriptions linguistiques : les expressions avec verbe qui ont un comportement plus ou moins idiomatique. On les trouve généralement dans les manuels de lexicologie. L’auteur tente ensuite de leur donner une présentation qui les place au cœur de la description grammaticale. L’article contient des descriptions de l’usage en utilisant deux bases de données de portugais brésilien avec de nombreux exemples (Corpus do Português et Dicionário inFormal), ce qui semble être intéressant pour travailler dans les espaces de langue maternelle ou de langue supplémentaire.

29« ‘Vai que’ e ‘quem sabe’ : o que há de novo com essas construções ? » (« ‘Vai que’ et ‘quem sabe’ : quoi de neuf avec ces constructions ? »), écrit par Julia Pinheiro Soares da Silva (de l’Université Fédérale de Rio de Janeiro), se concentre sur l’opérateur argumentatif « vai que » et le modalisateur discursif « quem sabe » à partir de données provenant de vidéos YouTube issues de la plateforme Youglish. L’auteur traite du processus de grammaticalisation de ces unités linguistiques dans une optique qui met en relation la grammaire de construction centrée sur l’usage et la sociolinguistique et cherche à examiner l’interchangeabilité de ces unités linguistiques.

30Marcelo Rodrigues Affonso Junior (Université Fédérale de Rio de Janeiro), dans « Cláusulas insubordinadas : um breve olhar interlinguístico » (« Clauses insubordonnées : un bref regard interlinguistique ») traite de données en deux langues, le portugais et le français, provenant de deux sources : des pamphlets du Jornal do Commercio de Rio de Janeiro et du Figaro du XIXème siècle. Il aborde le phénomène de « l’insubordination » et met en évidence des résultats de congruence entre les choix formels des clauses d’insubordination dans les deux journaux écrits dans les deux langues romanes analysées.

31Dans « Variação em línguas românicas: ações do projeto VariaR como contributos de ciência aberta e cidadã » (« Variation dans les langues romanes : actions du projet VariaR comme contributions à la science ouverte et citoyenne »), Marcia dos Santos Machado Vieira (Université Fédérale de Rio de Janeiro, Faperj et CNPQ) et Vanessa Meireles (Université Paul-Valéry Montpellier 3) retracent les mouvements, les pistes et les horizons concernant l’intention de réunir des personnes, des corpus et des informations qui permettent de comparer les langues romanes en usage dans le monde, de connaître leurs di-systèmes et de travailler avec elles dans les espaces scientifiques et éducatifs, en s’appuyant sur des données issues d’une réalité hétérogène et pluriculturelle. Les auteurs évoquent notamment les actions prévues pour viabiliser le portail inCorpora, qui vise à accueillir des contributions permettant un riche panel de variations en langues romanes. Parmi ces contributions, elles décrivent le Portail numérique des états de choses en portugais et dans les langues romanes en variation et en enseignement.

32Nous offrons ainsi au public lecteur un panorama des phénomènes linguistiques en variation. Nous remercions les auteurs d’avoir partagé les résultats et les discussions de leur travail avec la communauté scientifique intéressée. Nous remercions également le comité scientifique du IIe Colloque International VariaR et, dans le processus d’évaluation des articles soumis à ce dossier, en particulier Ana Cristina Braz (Université Ouverte du Portugal), Danielle Kelly (Université Fédérale de Rio de Janeiro), Heglyn Pimenta (Université Paris 8), Maria Cecilia Mollica (Université Fédérale de Rio de Janeiro), Niguelme Cardoso Arruda (Institut Fédéral de Santa Catarina), Sandra de Caldas (Université Paris 8), Silvana Silva de Farias Araújo (Université de l’État de Feira de Santana), pour avoir contribué par leur expertise à la sélection des articles soumis au dossier. La version finale de chaque texte, de l’entière responsabilité des auteurs, a certainement été enrichie par les observations faites. Nous tenons également à remercier Joan Simpson, étudiante du Master en Langues Étrangères Appliquées (LEA) avec une spécialisation en traduction anglais-portugais à l’Université Paul-Valéry/Montpellier 3, pour avoir révisé les résumés des articles en anglais. Nous remercions tout particulièrement le Professeur Marc Gruas (Université de Toulouse) pour avoir accepté la proposition de ce dossier, pour tout le soutien et la liberté que lui et son équipe nous ont accordés pour la rédaction du dossier.

Pour citer ce document

Vanessa MEIRELES et Marcia dos Santos MACHADO VIEIRA, «Présentation du dossier : Variation linguistique dans des territoires de langue portugaise et de langues romanes», Reflexos [En ligne], N° 006, mis à jour le : 14/01/2023, URL : https://revues.univ-tlse2.fr:443/reflexos/index.php?id=997.

Quelques mots à propos de :  Vanessa MEIRELES

Rio de Janeiro/Montpellier, janeiro de 2023

Quelques mots à propos de :  Marcia dos Santos MACHADO VIEIRA

Universidade Federal do Rio de Janeiro